Uma pausa para o chá

samovar

Há mais de 4 meses o blog não era atualizado. Não, eu não desisti dele! Apenas aconteceram algumas coisas durante esses meses que me forçaram a dar um tempo. Estou no meio de um processo seletivo para ingressar no mestrado, no segundo semestre deste ano. Como trabalho em comércio de shopping (ou seja, trabalho até aos sábados, domingos e feriados!), não tenho muito tempo para estudar. E as noites que passava pesquisando e escrevendo para o blog e a Gazeta Russa foram ocupadas pela redação do projeto de mestrado e os estudos de Língua Russa.

Durante essa pausa forçada tive algumas idéias para o blog. A primeira delas foi transformá-lo em um site. Mas como sou um zero à esquerda no que se refere aos códigos HTML, CSS e afins, tive que recorrer aos universitários, neste caso uma grande amiga de infância que é craque nesses assuntos, e verificar a disponibilidade dela para criar comigo um site que mantivesse o espírito do blog: visual leve e prático e um conteúdo de qualidade. Depois de muito discutirmos e pensarmos, chegamos num acordo.

Sim, o Polnotch se transformará num site, previsto para estreiar na segunda quinzena de Junho, no máximo. Até lá, não haverá mais conteúdo novo por aqui. Todo o conteúdo do blog, revisado e ampliado, irá migrar para o site. Assim que todos os posts estiverem lá, o blog será deletado. Retomarei as postagens na Gazeta Russa a partir da primeira semana de Abril, voltando a escrever duas vezes por mês. Isso é o máximo que conseguirei fazer até resolver essa loucura do mestrado!

Agradeço a atenção de todos que acompanham o blog, e peço desculpas por não ter avisado antes. Minha cabeça anda tão cheia que ando me esquecendo de coisas triviais, como pagar a conta de luz… A página do Facebook continuará sendo atualizada, assim como o Twitter, mas não com a mesma frequência de antes.

До свидания!

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Algumas notas sobre as origens do rock russo

O Rock and Roll surgiu nos Estados Unidos no início da década de 1950 e, em pouco tempo, se espalhou pelo mundo: no Brasil chegou em 1955 e, na Rússia, mais precisamente na antiga União Soviética, um pouco mais tarde, em 1957. Nesta época, a URSS era comandada por Nikita Krushchiov, que em seu “Discurso Secreto” no XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, denunciou os crimes cometidos por Stalin (uso desmedido da violência, execuções, fraudes etc.), dando início ao processo de “desestalinização” da política soviética.

Apesar da censura aos artistas se tornar um pouco mais branda neste período, os músicos ainda deveriam seguir os padrões artísticos estabelecidos pelo governo. Havia uma seleção de estilos musicais oficiais que eram permitidos de serem executados publicamente, por exemplo, a música clássica (na verdade, nem todos os compositores eram tidos como oficiais) e o jazz (que caiu na ilegalidade no período de Stálin e, após sua morte, foi gradativamente reabilitado pelo Kremlin). Quanto às letras das canções, críticas ao período de Stalin eram permitidas, mas as que eram feitas ao modo socialista de governo e sociedade não eram toleradas; a censura também valia para temas que fossem considerados nocivos à população como o alcoolismo, o sexo, a violência etc.

Valentin Parnakh e sua jazz band, em 1922: antes permitido pelo governo, o jazz acabou se tornando ilegal na URSS com o advento de Stalin e reabilitado apenas após sua morte, no final da década de 1950. (Foto: Wikipédia)

Havia uma única gravadora na União Soviética – a Melodiia (Мелодия) – que tratava-se de uma companhia pública administrada pelo Ministério da Cultura. Os estúdios de gravação também eram estatais, assim como as Casas de Cultura onde ocorriam as grandes apresentações. A seleção e distribuição de instrumentos musicais também eram por conta do governo. Desta forma, se o estilo musical e as letras das músicas fossem aprovados pelo Ministério da Cultura, o cantor ou conjunto receberia todo o apoio que precisasse para seguir a sua carreira. Caso fosse rejeitado, teria que se adequar às exigências do governo. Ou se virar sozinho.

Os músicos que quisessem se aventurar em estilos musicais não-oficiais, como era o caso do rock (sempre acusado de contaminar a juventude com um estilo de vida “degenerado” – lembram-se do trio sexo, drogas e rock’n'roll?), desde que não criticassem o governo e ameaçassem a ordem pública, eram tolerados e poderiam se apresentar em locais controlados pelas autoridades, como os bailes estudantis e alguns cafés, sem direito a gravar discos e a ter bons instrumentos musicais.

Timothy W. Ryback, no seu clássico estudo sobre o rock soviético Rock Around the Bloc (1990, Oxford University Press), aponta que o mês de julho de 1957 foi a data que o rock and roll fez sua primeira aparição pública em território soviético, numa apresentação musical que antecedia o 6º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, em Moscou. O Kremlin, tentando demonstrar que já havia deixado para trás a xenofobia do período do pós-guerra, convidou diversos conjuntos de jazz da Tchecoslováquia, Romênia, Polônia, Grã-Bretanha, França, Alemanha e Islândia para se apresentarem na abertura do Festival.

Alguns desses conjuntos apareceram com instrumentos inusitados na bagagem (guitarras) e algumas canções que não estavam no repertório original. Essas canções “barulhentas” (possivelmente músicas de Bill Halley & His Comets) acabaram passando batido pela censura e foram executadas no Festival por grupos da Grã-Bretanha. As reações do público foram diversas: enquanto muitos jovens se maravilharam com aquele ritmo diferente, críticos musicais se horrorizaram com tamanho primitivismo e alguns oficiais do governo ficaram desconfiados com o fascínio que aquela música exercia no público. Curiosos para saber mais sobre aquele estilo musical tão empolgante, alguns estudantes começaram a trocar informações sobre bandas e músicas.

O Roentgenizdat era praticamente a única forma de se conhecer as bandas de rock ocidentais na década de 1950. (Fotos: Kotzendes Einhorn)

Como já mencionamos, o rock não foi incluído na lista dos estilos “oficiais” porque o Ministério da Cultura o considerava uma ameaça à juventude ao incentivar práticas como o alcoolismo, o fascismo, a violência, a perversão sexual e, principalmente, por conter mensagens contra o socialismo. Desta forma, era praticamente impossível encontrar discos, fitas e qualquer tipo de publicação sobre este gênero musical. Os fãs acabaram usando a criatividade para conseguir os discos de suas bandas favoritas.

Já que os LP’s de música ocidental eram proibidos de serem comercializados e reproduzidos, os poucos que conseguiam chegar em território soviético (oriundos de outros países que faziam parte do Bloco Soviético, como a Alemanha Oriental e a Tchecoslováquia) eram pirateados, inscrevendo-se as ranhuras dos discos em chapas de raio-X (os famosos roentgenizdat, que também eram utilizados por fãs de jazz na época em que esse estilo musical era ilegal). Mas, ao descobrir essa prática, em 1958, o governo passou a confiscar os LP’s e destruiu dezenas de centros de produção e distribuição dos “discos de raio-X”. Mas a investida do governo contra a difusão do rock acabou não dando certo.

Alguns anos depois, em 1964, as páginas dos jornais soviéticos não poderiam deixar de noticiar a nova mania que atingiu os EUA, os quatro rapazes de Liverpool conhecidos como The Beatles. É claro que os críticos musicais “desceram a lenha” nos Beatles, acusando-os de serem garotos propaganda do estilo de vida capitalista. Mas a simples menção ao Fab Four foi o suficiente para atiçar a curiosidade das pessoas, e não demorou muito para cópias de discos do grupo aparecerem. As roupas, os cortes de cabelo, a música e tudo o mais que se referisse à banda se tornou uma febre entre os jovens soviéticos.

O Poiushchie Gitary (Поющие Гитары) foi uma das primeiras bandas soviéticas de rock. (Foto: Wikipédia)

Foi nessa época que surgiram as primeiras bandas de rock soviéticas. Elas tocavam, na sua grande maioria, versões cover dos Beatles em instrumentos musicais artesanais, já que não tinham acesso aos instrumentos de ponta que eram fornecidos pelo governo. Em pouco tempo, começaram a mesclar outros grupos ocidentais em seu repertório e a fazer versões rock de canções populares soviéticas. Apesar de muitas delas se tornarem relativamente famosas entre os jovens, sem apoio e recursos técnicos adequados não havia mais para onde irem a não ser se conformarem com o underground.

O Ministério da Cultura percebeu que a tal “febre do rock” era realmente séria. Como uma contrapartida às bandas ocidentais, o governo passou a aceitar alguns elementos musicais do rock, com algumas restrições: foi estabelecido um termo próprio para a expressão banda de rock, Vokal’no-instrumental’nyi ansambl’ (вокально-инструментальный ансамбль, conjunto vocal-instrumental ou simplesmente VIA); mais de 60% do repertório deveria ser composto por canções de origem soviética (ou seja, de compositores “oficiais”) e as letras das músicas não deveriam fazer menção aos assuntos considerados “tabus” que já explicitamos anteriormente. Em contrapartida, o governo daria todo o apoio técnico e financeiro necessário para os grupos. Muitos músicos acharam a proposta interessante e não perderam a oportunidade de se tornarem “oficiais”, cedendo em alguns pontos ao governo para, finalmente, seguirem uma carreira profissional.

Há muitos grupos VIA interessantes e eles foram os pioneiros ao levar um pouco do rock aos locais públicos, ao rádio e à televisão. Apesar da constante vigilância ideológica, alguns eram extremamente criativos e conseguiam transformar canções oficiais insonsas em ótimas peças psicodélicas. Poderia citar diversos nomes, como o cantor russo Aleksandr Gradskii e sua banda Skomorokhi (Скоморохи), que mesclava diversos estilos como o folk e o rock progressivo; o grupo Ariel’ (Ариэль), de Tcheliabinsk (cidade localizada próxima aos Montes Urais), também com uma pegada mais folk e elementos de prog aqui e acolá; e o Vesiolye rebiata (Весёлые ребята), que na década de 1970 contou com a participação da famosa cantora pop Alla Pugatchiova. Apesar de estes conjuntos serem muito populares e importantes, gostaria de destacar em especial outros dois nomes: Poiushchie Gitary (Поющие Гитары) e Pesniary (Песняры).

O Poiushchie Gitary (o grupo do clipe acima) foi formado em 1966 na cidade de Leningrado (atual São Petersburgo), e foi uma das primeiras bandas soviéticas de rock a se tornar famosa. Foi uma das principais referencias dos grupos VIA e muitos acabaram imitando o seu estilo. Fortemente influenciada por The Beatles, The Shadows e The Ventures, o grupo costumava fazer versões em russo de músicas dessas bandas, adaptando as letras às exigências do Ministério da Cultura – algumas letras não precisaram ser censuradas, como foi o caso de Byl odin paren’ (Был один парень), uma versão da canção Cera un ragazzo che come me amava i Beatles e i Rolling Stones, de Gianni Morandi (também imortalizada no Brasil pela banda Os Incríveis). O Poiushchie Gitary está em atividade até os dias de hoje.

Já o Pesniary (o grupo do clipe abaixo) foi formado em 1969 em Minsk, capital da atual Bielorrússia. Era um conjunto extremamente criativo e seus integrantes músicos de primeira linha. Utilizavam instrumentos tradicionais eslavos de sopro, cordas e percussão em conjunto com as guitarras e o órgão eletrônico. Essa combinação de tradição e modernidade deu à banda uma sonoridade única, que muitas vezes tocava o rock psicodélico. Além das versões de músicas ocidentais, também transformaram canções folclóricas bielorrussas em verdadeiras viagens psicodélicas. Apesar de algumas indas e vindas, o grupo ainda está em atividade.

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БеЗ Билета (BeZ Bileta)

A banda de indie rock БЕЗ БИЛЕТА (BeZ Bileta) foi formada em 1998, na cidade de Minsk (capital da Bielorrússia). Liderado pelo vocalista e compositor Vitalii Artist, o grupo inicialmente tocava música folk com temática romântica, apesar de ser fortemente influenciado pelo rock – ao lado dos grandes “bardos” soviéticos e das canções folclóricas bielorrussas, Vitalii cita o grupo de rock soviético Kino e os ingleses do Radiohead como suas principais influências.

Desta forma, não foi por acaso que a sonoridade da banda evoluiu do simples folk ao sofisticado indie rock com elementos eletrônicos de hoje – após lançarem três álbuns que gradativamente davam sinais de uma transição do folk para o rock (На неба, “Na neba”, de 2001; нарисована, “narisovana”, de 2004 e Поправка 22, “Popravka 22″, de 2006), o BeZ Bileta assumiu de vez o seu lado roqueiro e experimental com o álbum Кино (Kino), lançado em 2007. Apesar das mudanças na sonoridade do grupo, as letras continuaram abordando temas como o amor e os relacionamentos humanos.

O disco Kino foi um enorme sucesso de vendas e o BeZ Bileta se tornou uma das bandas de rock mais populares da Bielorrússia. O grupo era convidado para participar de todos os principais festivais de rock do país, com shows sempre lotados. Não demorou muito para alcançar outros públicos fora de seu país: em 2008 o BeZ Bileta estreiou nas rádios russas e logo se tornou famoso por lá. Logo em seguida, a banda se tornou muito famosa na Ucrânia, na Armênia e na Moldávia.

O álbum Мечтатели (Metchtateli), de 2009, foi lançado pela gravadora russa M2 e repetiu o mesmo sucesso de vendas de seu antecessor. Ainda em 2009, foi lançado outro álbum, Африка (Afrika), que recebeu o prêmio de “melhor disco do ano” no  Рок-коронация 2009 (Rok-koronatsiia, uma das principais cerimônias de premiação da Bielorrússia). O BeZ Bileta também levou a estatueta de “melhor banda” naquela premiação e mais 4 prêmios do RAMP (Russian Alternative Music Prize).

O sucesso na Rússia levou a banda a se tornar conhecida em outros países como a Polônia, a Alemanha, a França e a Itália, tocando em diversos festivais pela Europa. E além da preocupação com a produção e gravação dos seus álbuns, o BeZ Bileta é bastante conhecido pela qualidade de seus videoclipes, que quase sempre são premiados. É claro que o primeiro DVD lançado pelo grupo, Про самое негрустное на свете (Pro samoe negrustnoe na svete), de 2007, também foi um enorme sucesso de vendas.

Além de ser o líder do BeZ Bileta, Vitalii Artist também compões trilhas sonoras de filmes, séries, peças de teatro, propagandas e desenhos animados. Outro fato bem curioso sobre o grupo é que ele conta com a participação de um “integrante oculto” muito especial, a cantora, compositora e artista visual Tania Kushner, que além de colaborar ativamente com o BeZ Bileta tanto nas músicas como na produção visual de encartes para os CD’s e videoclipes, também participa de um projeto paralelo de Vitalii Artist, a banda Slowmotion, formada em 2010.

INTEGRANTES ATUAIS

  • Vitalii Artist - voz, violão, letra, música e produção
  • Ian Iarosh - teclados
  • Aleksandr Ivashkevitch - guitarra
  • Aleksandr Guliaev - baixo
  • Andrei Korotchenko - bateria

DISCOGRAFIA

  • 2001 – На неба
  • 2004 – Нарисована
  • 2006 – Поправка 22
  • 2007 – Кино
  • 2008 – Настоящая любовь
  • 2009 – Мечтатели
  • 2009 – Африка
  • 2010 – Красному диску солнца
  • 2011 – Звезда

LINKS

Site oficial: http://bezbileta.net/

Canal no YouTube: http://www.youtube.com/user/beZbileta

Facebook: http://www.facebook.com/BEZBILETA

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Би-2 (Bi-2)

O grupo Би-2 (Bi-2) foi formado em 1988, na cidade de Minsk, Bielorrússia, pelos jovens Aleksandr Uman (guitarra) e Igor Bortnik (voz, guitarra). Os dois se conheceram em 1985, no Teatro-Estúdio Infantil Rond, e logo pensaram na possibilidade de montar uma banda de rock – começaram a estudar música e a compor algumas canções. As idéias da dupla só se concretizaram três anos depois, quando formaram o grupo Братья По Оружию (Brat’ia Po Orujiiu). A formação da banda era muito instável, sendo que os únicos membros permanentes eram Aleksandr e Igor. Ainda em 1988, os dois decidiram mudar o nome do grupo para Берег Истины (Bereg Istiny) e, no ano seguinte, o abreviaram e acrescentaram o número 2, ficando apenas Би-2 (Bi-2). Aleksandr e Igor também mudaram seus nomes artísticos para Shura Bi-2 e Liova Bi-2.

No começo de carreira, o Bi-2 foi musicalmente muito influenciado pelo grupo britânico The Police e pelo movimento pós-punk. As apresentações do grupo eram bem inusitadas e o palco enfeitado com diversos itens curiosos como um caixão, rolos de papel, aviões, muletas e até camisinhas – alguns desses objetos acabavam sendo atirados para a platéia durante o show. Entre 1988 e 1990, a banda fez diversos shows pela Bielorrússia, tocando em muitos festivais importantes, como o “Могилевский рок-фестиваль” (Mogilevskii rok-festival’), em 1989. Neste mesmo período, gravaram algumas músicas em um estúdio caseiro e lançaram um álbum independente em fita cassete, Изменники родины (Izmenniki rodiny), que até hoje não foi relançado em CD.

Com o fim da União Soviética, em 1991, Shura mudou-se para Israel pois, com a nova situação política da Bielorrússia, acreditava que seria impossível continuar experimentando e inovando em um país que não oferecia condições para isso (os sinais de cerceamento das liberdades civis e políticas acabaria se consolidando em 1994, quando foi eleito o primeiro e único presidente da Bielorrússia, Aleksandr Lukashenko, que desde então se mantém no poder). Liova acabaria fazendo o mesmo no ano seguinte.

Com a mudança para Israel, inicia-se uma nova fase para a banda. Shura e Liova passaram alguns meses longe dos palcos e sem escrever novas canções, se adaptando ao novo país. Em 1992, os dois encontraram um antigo membro da banda enquanto andavam por Jerusalém, e a nostalgia dos velhos tempos acabou levando a dupla a retomar as atividades do Bi-2. O retorno foi bem tímido, se apresentavam para pequenas platéias (por volta de 30 pessoas), quase sempre no formato acústico; até participaram do “Jerusalem Rock Festival”, mas a recepção da platéia foi muito fria. Novas canções começaram a surgir e o estilo da banda começou a mudar – arranjos mais complexos e uma preferência pelo formato acústico passaram a predominar nas composições. No final de 2003, Shura mudou-se para a Austrália por questões familiares, enquanto Liova permaneceu em Israel.

Liova e Shura continuaram se comunicando por telefone, trocando idéias sobre novas músicas. Shura acabou fazendo amizade com diversos músicos australianos e continuou a trabalhar com música, formando uma nova banda, o  Shura B-2 Band. O grupo se manteve ativo entre 1993 e 1997, participando de diversos festivais em Melbourne e gravando alguns discos. Depois da dissolução do grupo, Shura tocou por algum tempo na banda darkwave australiana Chiron. Em 1998, Liova foi para a Austrália, e o Bi-2 finalmente retomou as atividades. Finalizaram algumas músicas que escreveram ao telefone, comporam outras e gravaram o álbum Бесполая и грустная любовь (Bespolaia i grustnaia liubov’). Mesmo tendo sido lançado apenas na Austrália, algumas músicas passara a ser executadas na famosa emissora de rádio russa Nashe radio.

Em 1999, Shura e Liova se mudaram para a Rússia, saíram em busca de novos integrantes para o grupo e correram atrás de estúdios, gravadoras, empresários e tudo o que fosse preciso para retomar de vez a carreira do Bi-2. Apesar de os primeiros meses em território russo serem um pouco desanimadores, neste mesmo ano a banda foi convidada para participar de dois importantes festivais, o “Максидром” (Maksidrom), promovido pela rádio Maximum, e o “Нашествие” (Nashestvie), promovido pela Nashe radio. No ano seguinte, o Bi-2 participou do filme Брат-2 (Brat-2), do diretor Aleksei Balabanov, e tanto o filme quanto sua trilha sonora fizeram muito sucesso na Rússia. Cada vez mais conhecida por todo o país, a banda passou a se apresentar por inúmeras cidades russas, conseguiu lançar seus álbuns por grandes gravadoras e fez parceria com diversos músicos da cena roqueira russa (Tchitcherina, Diana Arbenina, Piknik…). No momento, a banda está em turnê pela Rússia divulgando seu último álbum, Spirit, lançado em dezembro de 2011.

INTEGRANTES ATUAIS

  • Liova Bi-2 – voz, guitarra, violão
  • Shura Bi-2 – voz, guitarra
  • Andrei “Zvon” Zvonkov – guitarra
  • Maksim “Lakmus” Andriushchenko – baixo
  • Boris Lifshits – percussão
  • Ianik Nikolenko – flauta, teclados, backing vocal

DISCOGRAFIA

  • 1991 — Изменники родины (не издавался)
  • 1998 — Бесполая и грустная любовь
  • 2000 — Би-2
  • 2001 — Мяу кисс ми
  • 2004 — Иnoмарки
  • 2006 — Moloko
  • 2009 — Лунапарк
  • 2010 — О чем говорят мужчины (саундтрек)
  • 2011 — Spirit

LINKS

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Рок и фортуна (Rok i fortuna) – uma narrativa musical sobre o Mashina Vremeni (1989)

Ando um pouco cinéfila nessas últimas semanas. Aproveitando esse clima, compartilho com vocês um documentário muito legal sobre uma de minhas bandas favoritas, o Машина времени (Mashina Vremeni), que já foi devidamente resenhada aqui no blog no ano passado (para ler o post, clique aqui). O filme Рок и фортуна (Rok i fortuna) foi produzido em 1989, pela Mosfilm (o mesmo estúdio de “O Encouraçado Potemkin”, “Cidade Zero”, “A Infância de Ivan”, “Moscou não Acredita em Lágrimas” e outros clássicos do cinema soviético), e conta a história de uma das mais antigas e importantes bandas de rock’n'roll da Rússia – a primeira a cantar rock em russo – mesclando entrevistas,  shows e bastidores de estúdios e apresentações. Mesmo que você não entenda um palavra em russo, esse é um daqueles filmes indispensáveis para se entender o que era ser uma banda de rock na União Soviética – as imagens e a música acabam falando por si só.

FICHA TÉCNICA

  • Diretor: Nikita Orlov
  • Roteiro: Nikita Orlov
  • Direção de Fotografia: Boris Kotcherov, Viktor Pishchal’nikov
  • Produção: ТППКА/Мосфильм (TPPKA/Mosfilm)
  • Ano: 1989
  • Idioma: Russo, sem legendas
  • Duração: aprox. 1 hora e 39 minutos

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Йя-Хха (Ia-khkha), um curta-metragem sobre a cena underground de Leningrado (1986)

Em 1986, o então estudante de cinema Rashid Nugmanov escreveu e dirigiu um curta-metragem sobre a cena underground de Leningrado (atual São Petersburgo), como parte de um trabalho acadêmico. O drama, que apresenta alguns dos “pais” do rock soviético (como Boris Grebenshchikov, líder do Akvarium/Aquarium, Konstantin Kintchev, vocalista do Alisa, Maik Naumenko, do grupo Zoopark, e Viktor Tsoi, líder do Kino) e a vida cultural dentro e ao redor do Leningrado Rock Club (casa de shows fundada em 1981, que foi um dos principais centros de efervescência do rock soviético), não é um documentário tradicional, nem um filme com linguagem linear. Nugmanov lança o espectador dentro de um caleidoscópio de imagens do cotidiano dos jovens roqueiros de Leningrado, visitando, além do Rock Club, todos os lugares que foram importantes para a cena undergound da cidade. Este curta acabou ganhando, em 1987, diversos prêmios, como o FIPRESCI Award e uma premiação no Festival Internacional de Cinema de Moscou.

FICHA TÉCNICA

  • Diretor: Rashid Nugmanov
  • Roteiro: Rashid Nugmanov
  • Direção de Fotografia: Sergei Lando, Telman Mamedov, Aleksei Mikhailov e Oleg Morozov
  • Produção: ВГИК (VGIK)
  • Ano: 1986
  • Idioma: Russo, sem legendas
  • Duração: aprox. 31 minutos
  • Bandas: Алиса (Alisa), Зоопарк (Zoopark), Кино (Kino). Participação especial de Boris Grebenshchikov.

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Prāta Vētra (Brainstorm)

O grupo Prāta Vētra foi formado em 1989, na cidade de Jelgava (localizada na região central da Letônia, na época parte da União Soviética), por cinco amigos de escola: Renārs Kaupers (voz), Jānis Jubalts (guitarra), Kaspars Roga (bateria), Māris Mihelsons (acordeão, teclados) e Gundars Mauševics (baixo). Todos os integrantes estudaram juntos praticamente em todos anos que estiveram na escola e, desde pequenos, participavam de corais infantis. As primeiras influências musicais da banda foram a música pop soviética e a trilha sonora de desenhos animados. Os primeiro três anos de atuação do Prāta Vētra foram marcados apenas por shows – a banda lançará seu primeiro single apenas em 1992, Jo tu nāc. Com uma boa aceitação do público letão, este single acabou popularizando o grupo em seu país.  Ainda em 1993, lançaram o primeiro álbum, Vairāk nekā skaļi, de forma independente – este disco obteve a mesma boa repercussão do single.

Apesar de relativamente conhecido na Letônia, o grupo acabou caindo no ostracismo nos dois anos seguintes, lançando apenas um single em 1994, Vietu nav, com uma tiragem de apenas 500 cópias e que flertava mais com o rock alternativo. Lançaram o seu segundo álbum apenas em 1996, Veronika, que rapidamente se tornou uma sensação entre o público adolescente. O próximo passo para o sucesso foi a banda ter conseguido um contrato com a importante gravadora letã Mikrofona Ieraksti, uma das maiores do país. Contando com excelentes estúdios e melhores instrumentos, o Prāta Vētra lançou, em 1997, seu terceiro álbum, Viss ir tieši tā kā tu vēlies, que rendeu ao grupo seu primeiro disco de ouro (na verdade, este álbum foi um dos primeiros discos de ouro da indústria fonográfica letã!) e acabou consolidando de vez o seu sucesso na Letônia. O passo seguinte seria conquistar o mundo.

A banda lançou, ainda em 1997, seu primeiro single internacional, Under My Wing (Is Your Sweet Home), que trata-se de uma versão em inglês da música Tavas mājas manā azotē; o single foi gravado na Alemanha. A boa repercussão dessa música levou os integrantes a arriscarem um álbum inteiro em inglês – em 1999, será lançado Among The Suns, uma versão do álbum Starp divām saulēm, também lançado no mesmo ano e gravado na Suécia e na Dinamarca. A banda preferiu adotar, nos álbuns em inglês, o nome Brainstorm, que é a tradução de Prāta Vētra para o inglês (Prāta – brain, Vētra – storm). Todos os singles que foram lançados destes discos alcançaram o topo das paradas de sucesso na Letônia. Em 2000, a banda participou do Eurovision Song Contest, conquistando o terceiro lugar na competição,  com a música My Star; essa canção acabou ficando 16 semanas consecultivas no ranking das músicas mais pedidas nas rádios suecas. Além da Suécia, a banda expandiu seu sucesso para a Bélgica, Finlândia, Noruega e Lituânia.

Ainda em 2000, uma cópia do disco Among The Suns acabou caindo nas mãos de Michael Stipe, ex-vocalista do R.E.M., que teceu ótimos elogios ao grupo na imprensa. Bob Dylan, que conheceu a banda em um programa de TV sueco, elogiou o grupo por sua excelente performance ao vivo. Em 2003, foi lançado o álbum Kaķēns, kurš atteicās no jūrasskolas e sua versão em inglês, Online, que contém um dos maiores hits da banda, a música Maybe (aqui no Brasil essa canção ainda é bastante executada em rádios como Antena 1 e Alpha FM). A edição russa deste álbum possuia uma faixa bônus cantada em russo, Выходные (Vykhodnye) – essa música acabou caindo no gosto do público russo e foi o pontapé inicial para a banda conquistar também fãs por lá. No ano seguinte, a famosa banda russa Би-2 (Bi-2) convidou o Brainstorm (na Rússia, o grupo é conhecido pelo nome em inglês) para gravarem juntos uma música, Скользкие улицы (Skol’zkie ulitsy), que se tornou bem famosa na Rússia e na Ucrânia.

O baixista da banda, Gundars Mauševics, morreu em 2004, vítima de um acidente de carro. Os demais integrantes decidiram continuar com o grupo, convidando Ingars Viļums para assumir as quatro cordas. Viļums não foi incluído na formação da banda, é apenas um “músico convidado” – em homenagem a Mauševics,  ninguém assumirá essa posição. Continuando sua estrada rumo ao sucesso mundial, o grupo lançou mais álbuns em letão e inglês, sempre batendo recordes de venda, e passou a excursionar regularmente por todo o Leste Europeu, com shows sempre lotados. Em 2011, participou do festival “Vabaduse laul”, que comemorou os 20 anos de independência da Letônia. Em 2012, a banda lançou o álbum Vēl viena klusā daba e, no momento, segue em turnê pela Rússia, participando de diversos programas de TV e rádio pelo país.

INTEGRANTES ATUAIS

  • Renārs Kaupers - voz, guitarra
  • Jānis Jubalts – guitarra
  • Kaspars Roga – bateria
  • Māris Mihelsons – teclados, acordeão

DISCOGRAFIA

  • Vairāk nekā skaļi (1993)
  • Vietu nav (1994)
  • Veronika (1996)
  • Viss ir tieši tā kā tu vēlies (1997)
  • Starp divām saulēm (1999)
  • Among the Suns (2000)
  • Izlase (2000)
  • Kaķēns, kurš atteicās no jūrasskolas (2001)
  • Online (2001)
  • Dienās, kad lidlauks pārāk tāls (2003)
  • A Day Before Tomorrow (2003)
  • Četri krasti (2005)
  • Four Shores (2006)
  • Tur kaut kam ir jābūt (2008)
  • Шаг (2009)
  • Years and Seconds (2010)
  • Izlase (2010)
  • Vēl viena klusā daba (2012)

Site oficial: http://www.pratavetra.lv/lv/

Canal no YouTube: http://www.youtube.com/user/BrainStormLV

SoundCloud: http://soundcloud.com/pratavetra

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