До свидания, Facebook! (e outras coisas mais)

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Texto: Mariana Reis

Já se passou mais de um ano desde o último post publicado no blog. Muitas coisas aconteceram durante esses meses, que impediram a continuidade do projeto. Aos trancos e barrancos,  consegui colocar “ordem na casa” neste fim de ano, e voltarei a publicar novas biografias de bandas e artigos já no próximo mês, tanto aqui como na Gazeta Russa.

A Tassia está com novos projetos e quase sem tempo, e, por esse motivo, não irá mais publicar suas resenhas de CDs no blog. Espero que, em um futuro não muito distante, ela retorne ao Polnotch! (Я буду держать пальцы скрещенными!, “vou manter meus dedos cruzados!”)

A página do blog no Facebook foi excluída na semana passada, e não retornarei mais a esta rede social. Desta forma, qualquer página que vocês encontrarem por lá que se referir ao Polnotch não é oficial e muito menos administrada por mim, Mariana. Desde que mudaram as políticas de páginas (o famoso “pagar para promover”), o acesso à página despencou e percebi que muitas pessoas não visualizavam as publicações. Além disso, não concordo com a nova política de privacidade. Em 2015, continuarei publicando notícias e clipes no Twitter, com uma periodicidade bem maior do que neste ano.

É isso. Aproveito para desejar a todos um Feliz Natal e um excelente 2015. Que o próximo ano seja muito melhor que 2014!

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Por dentro do álbum: Сны (Sny), de Чичерина (Tchitcherina)

Texto: Tassia Pellegrini

Tchitcherina é, na verdade, Iulia Tchitcherina, cantora russa de Sverdlovsk (atual Iekaterinburg) que, em 1997, uniu-se a mais quatro rapazes para formar o grupo que leva seu sobrenome e que se tornaria famoso pouco tempo depois. Após se apresentarem em alguns festivais na Sibéria, enviaram uma fita-demo a um dos produtores da Nashe Radio (referência em rock e pop-rock russo) e foram convidados para participar do famoso festival Nashestivie, em Moscou. Em 1999 assinaram contrato com a gravadora Real Records e se mudaram para Moscou, lançando seu álbum de estréia, “Sny” (“Сны”) em 2000.

Esse álbum teve um single que é muito bem lembrado até hoje, “Tu-lu-la” (“Ту-Лу-Ла”), que carimbou o estilo da banda para sempre (pelo menos na cabeça dos ouvintes). Particularmente, acredito ser um single universal, pois o mostro a muitas pessoas e elas costumam dizer que já o ouviram em algum lugar, mesmo quando nunca tiveram contato direto com música russa em si. Seria por que se tornou a trilha sonora de “Quarto em Roma”, do espanhol Julio Medem em 2010? Ela contém um vocal mais agudo, é a letra mais simples e não possui um instrumental tão próximo da maioria das outras canções. É a que mais incorpora o feeling do pop-rock dos anos 90, enquanto as outras tendem para um lado um pouco menos comercial, ainda que facilmente melódico. Não podíamos deixar passar, claro, o gritinho, que se repete na faixa “Sny” (“Сны”), já quase no fim do álbum.

Outra faixa de muito sucesso e que abre o álbum (e se aproxima em muitos pontos de “Tu-lu-la”) é “Zhara” (“Жара”). Assim como seus acordes felizes e abertos, a letra é leve e irradiante, com um refrão simples e característico. Quebrando o clima vem “Maiskie Dozhdi” (“Майские дожди”). Melancólica, de um ritmo quebrado que só é juntado pelo refrão. Até mesmo o contrabaixo, marcante em praticamente todas as músicas desse álbum, desaparece nessa música.

E então entra “Kukla” (“Кукла”) resgatando o baixo forte, o instrumental mais elaborado e o vocal que caracterizou o grupo, num refrão maduro e aconchegante. É uma das melhores faixas desse álbum.

“Malo” (“Мало”) é como uma revisitação a “Zhara”, instrumentalmente falando, porém um pouco mais elaborada. É o refrão mais simples para os não falantes de russo que já ouvi (além de “Tu-lu-la”, não é verdade?).

“Podozhdi Menia” (“Подожди меня”) é outra música que é caracterizada basicamente pelo refrão, já que seu instrumental não difere muito do que é produzido no resto do álbum, no mundo, na Rússia. Ainda assim carece de sal melódico, como “Maiskie Dozhdi”. Já a faixa que lhe sucede, “4000km” (“4000 км”), apesar de lenta, tem todo o sal que falta a sua anterior. Bem harmonizada e produzida, mostra um vocal que se afasta um pouco dos singles mais famosos da banda, gerando um certo contraste neste próprio álbum.

Outra música não muito cativante no álbum é “More” (“Море”). Novamente cabe ao refrão salvar a espera por “algo interessante” na faixa. O que não acontece necessariamente com “Afrika” (“Африка”), que é salva pela sua letra, já que seu refrão, apesar de simplista como o das músicas mais famosas do álbum, não engaja igualmente.

“Luna” (“Луна”) é uma das poucas sombrias do álbum e, instrumentalmente falando, a parte mais agradável é a ponte que finaliza a música, iniciada pelo último refrão melancólico. Antes disso, as coisas parecem não encaixar tanto.

Fecha o álbum a faixa “Ukhoda-Ukhodi” (“Ухода-Уходи”), que mistura guitarras mais pesadas com um início de instrumentos sintetizados simples, mas passagens fortes, que caracterizam bem a música como um todo. Talvez a faixa mais distinta do álbum, que de alguma forma estranha, acaba figurando também entre as melhores, talvez por conseguir casar bem o contraste de seus instrumentos e interpretações vocais.

Para algumas bandas, o álbum de estreia acaba sendo uma tatuagem permanente. Talvez isso tenha sido de certa forma verdade para Tchitcherina que até hoje carrega um de seus primeiros singles como representante do pop-rock russo dos anos 2000.

O grupo Tchitcherina disponibiliza o álbum na íntegra para audição no site ThankYou.ru. Para ouvir, é só clicar AQUI.

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Por dentro do álbum: Солнцеклёш (Solntsekliosh), de Маша и Медведи (Masha i Medvedi)

Texto: Tassia Pellegrini

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Desde criança sempre gostei muito de rock, especialmente o rock com vocal feminino. Até hoje isso é uma característica forte em mim, apesar da diversidade musical que procuro me inserir – e da minha ecleticidade. Com a música popular russa não foi diferente. E descobri lá uma cena forte e representativa deste gênero.

Sem dúvidas, Masha i Medvedi é uma referência imediata do pop-rock, folk-rock (ou seja lá como queiram chamar) russo. Não sei se posso dizer que Masha Makarova foi pioneira (afinal, Zhanna Aguzarova bem antes já estava fazendo muito sucesso na banda Bravo e em carreira solo), mas talvez tenha sido a faísca da nova geração. Uma renovação que conversava bem com o momento musical dos anos 90 sem perder suas raízes no folk, com uma figura carismática tanto em voz quanto em presença de palco.

Apesar da história da banda ter começado em 1996, foi em 1998 com o lançamento do seu primeiro álbum “Solntsekliosh” (Солнцеклёш) e com a participação no festival Maxidrom que eles foram descobertos pela mídia e alcançaram diversas paradas de sucesso dentro do seu país. Esse álbum é muito importante para a história da banda. Não apenas por ter sido um sucesso, mas porque ele apresenta bem a proposta do grupo. A primeira faixa, “Mil – Mila” (Мил – Мила) é carregada de elementos dos anos 90 (bateria eletrônica com uma guitarra de timbre leve e acordes abertos) e com alguns elementos folk não muito complexos. Um casamento muito bom por si só, mas que fica ainda mais rico com a voz de Masha, que começa a delinear suas características vocais bem distintas.

Mas a segunda faixa, “Lyubochka” (Любочка), não lembra tanto a proposta “pop folk” da faixa que abria o álbum. E foi justamente essa música, uma das últimas a entrar no álbum, que caiu nas graças do público. O engraçado é que ela lembra bastante a introdução de “Creep”, do Radiohead (tanto a maneira de cantar os primeiros versos quanto os primeiros acordes). Versos esses que foram tirados do poema “Lyubochka”, da poeta soviética Agniya Lvovna Barto, mais conhecida como Agnes Barto. Apesar de diferentes, a faixa “Kosa” (Коса) segue o mesmo feeling da sua antecessora.

Já “Dien – Noch” (День – Ночь) vem com uma letra mais simples perante guitarras mais arranhadas e pesadas. Essa linha acaba sendo mais forte em outros álbuns do grupo, mas este, em especial, ainda é muito apegado à bateria eletrônica. O interessante nesse álbum é que parece que as músicas estão agrupadas por certa similaridade. “Bez Tebya” (Без Тебя) também propõe guitarras mais marcantes, apesar de um ritmo mais lento. O refrão explora bem a forma distinta de cantar de Masha, e é ele que caracteriza a música.

A faixa que intitula o álbum, “Solntsekliosh” (Солнцеклёш), continua seguindo a linha rítmica das duas anteriores. Porém, um de seus samples lembra bastante os da música “Tutankhamon” (Тутанхамон) do Nautilus Pompilius (Наутилус Помпилиус), apesar delas não terem aparentemente nenhuma relação.

Reintroduzindo o ritmo alegre, “Zemno-nezemnaya” (Земно-неземная) vem com o refrão mais simpático de todo o álbum! Seguindo a mesma linha, “Skazka” (Сказка) vem logo depois com uma letra gigante (afinal, “Skazka” é ‘conto de fadas’) e sem nenhum elemento muito representativo.

“Dvornik” (Дворник) retoma os elementos folk que caracterizaram a abertura do álbum. A voz doce de Masha fornece uma interpretação leve para uma música leve. “Neliubimy” (Нелюбимый) parece ter vindo da irlanda, não só pelo violino clássico, mas pelas guitarras à lá Cranberries em sua fase de 1998. É a faixa com um refrão e rítmo simpáticos, que dá vontade de repetir sempre.

Quebrando todo o ritmo do álbum, mas de uma maneira bem graciosa, vem “Moskovskaya” (Московская). Apenas uma guitarra de acordes leves e voz. Uma voz serena que evoca nostalgia e melancolia, bem pertinentes à sua letra.

E para fechar, a música de Masha i Medivedi que mais toca na Nashe Radio até hoje: “Reykyavik” (Рейкъявик). O título, que é uma referência à capital da Islândia, denota bem o conteúdo da música – uma ode à Islândia, basicamente. Essa faixa foi tão bem recebida pela crítica (dentro e fora da Rússia) que a banda ganhou um convite para gravar o clipe lá na Islândia. Para nós, o refrão parece mais um trava línguas, mas a música, como um todo, reflete bem a essência do álbum. É praticamente uma mistura de todas as características principais das faixas anteriores, pecando, talvez, pela falta de elementos mais folclóricos.

“Solntsekliosh” é um álbum obrigatório para quem gosta e quer entender mais o cenário do pop-rock feminino da Rússia dos anos 90, além, claro, de ser um pedaço importante da história de Masha i Medvedi. É uma obra bem coerente, que sempre dá vontade de ouvir novamente.

A banda Masha i Medvedi disponibiliza o álbum na integra para audição no site Kroogi. Para escutar, é só clicar AQUI.

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Кино (Kino)

Texto: Mariana Reis

A banda KINO foi formada em 1981, na cidade de Leningrado (atual São Petersburgo), por Viktor Tsoi(voz, guitarra, letras e música), Aleksei Rybin (guitarra) e Oleg Valinskii (bateria). Todos os três já haviam participado de outros grupos de rock antes de formarem o Kino: Tsoi era o baixista da banda beat Палата № 6 (Palata nº 6), enquanto Rybin e Valinskii tocavam juntos no Пилигрим (Pilgrim). Tsoi também havia tocado diversas vezes com o importante grupo punk Автоматические удовлетворители (Avtomatitcheskie udovletvoriteli, também de Leningrado e que esteve em atividade entre 1979 e 1998). O primeiro nome que deram a banda foi Гарин и гиперболоиды (Garin i guiperboloidy), uma analogia ao romance de Aleksei Tolstoi, Guiperboloid injenera Garina. Varinskii teve que abandonar o grupo em 1982, para servir ao Exército, mas Tsoi e Rybin seguiram em frente: conseguiram contatos no Leningrado Rock Clube e fizeram amizade com Boris Grebenshchikov, líder do lendário grupo Аквариум (Akvarium) e influente músico underground. Foi nessa época que mudaram o nome da banda para Kino.

O primeiro disco do Kino, 45,  foi gravado em 1982, num estúdio ilegal montado por Andrei Tropillo (AnTrop), e produzido por Boris Grebenshchikov. O estilo da banda, neste primeiro registro, transitava entre o beat e o pós-punk. Como o grupo consistia apenas em Tsoi e Rybin, Grebenshchikov convidou alguns músicos do Akvarium para participarem das gravações; como não havia um baterista disponível para tocar, acabaram utilizando um drum machine. O álbum não teve muita repercussão, e Tsoi, mais tarde, confessou que as músicas de 45 eram muito imaturas. No ano seguinte, a banda fez diversas apresentações em Leningrado e Moscou junto com Piotr Troshchenkov, baterista do Akvarium, mas Rybin acabou deixando o grupo, devido a conflitos pessoais com Tsoi. Mesmo sozinho, Tsoi não desistiu do Kino, convidando outros integrantes para ingressarem no grupo: Maksim Kolosov (baixo), que não ficou por muito tempo, e Iuri Kasparian (guitarra). O único registro em áudio deste período foi um bootleg, 46, com diversas versões demo de novas composições de Tsoi, que muitos consideram como um segundo álbum da banda.

Em 1984, o Kino, que agora consistia apenas em Tsoi e Kasparian, gravou um novo álbum, Начальник Камчатки (Natchal’nik Kamtchatki), que novamente foi produzido por Grebenshchikov e contou com vários integrantes do Akvarium como banda de apoio. No final das gravações, o baterista Georgii Gur’ianov acabou entrando para a banda. A recepção deste álbum, tanto pelo público como pelos jornalistas, foi muito melhor que a do primeiro disco. Após o lançamento de Natchal’nik Kamtchatki, o Kino finalmente teve uma formação completa: além de Gur’ianov, entrou para o grupo o baixista do Akvarium, Aleksandr Titov. Neste mesmo ano, a banda fez uma excelente apresentação no II Festival do Leningrado Rock Clube, seguida de outra bem sucedida em Moscou, onde dividiu o palco com o Akvarium, Zvuki Mu e Bravo. Em 1985, o Kino entrou em estúdio para gravar um novo álbum, mas as gravações foram interrompidas, pois Tsoi achava que Tropillo estava interferindo demais no processo criativo do grupo. As gravações foram retomadas em outro estúdio e se transformaram no álbum Это не любовь (Eto ne liubov’).

Estava cada vez mais difícil para Titov conciliar seu tempo entre duas bandas, e ele acabou deixando o Kino para se dedicar ao Akvarium. No seu lugar entrou Igor Tikhomirov - esta seria a última mudança na formação do grupo. Em 1986, Tropillo aproveitou que o governo soviético estava bem mais moderado com relação ao rock (lembrem-se que estamos na Perestroika; antes deste período o rock era um estilo musical ilegal) e lançou um disco do Kino pela Melodia (a única gravadora oficial da URSS) chamado Ночь (Notch’), com as músicas que a banda havia gravado em seu estúdio antes de sua briga com Tsoi. O disco se tornou o primeiro trabalho oficial do grupo, vendeu milhares de cópias, mas a banda não recebeu um centavo sequer de sua vendagem. Neste mesmo período, a banda gravou um álbum split com o Akvarium, Alisa e Strannye igry, chamado Red Wave – produzido pela cantora e atriz estadunidense Joanna Stingray, foi o primeiro disco de rock russo lançado nos Estados Unidos.

Entre os anos de 1986 e 1988, Tsoi investiu em sua carreira de ator, participando de alguns filmes como Асса (Assa), do diretor Serguei Solov’iov, e Игла (Igla), de Rashid Nugmanov. Apesar das atividades do Kino terem se reduzido drasticamente neste período, Tsoi continuou compondo novas músicas e escrevendo belíssimas letras, que a cada dia estavam ficando mais maduras e poéticas. Em 1988, contando com um ótimo estúdio e equipamentos de ponta, a banda se reuniu novamente para gravar seu melhor álbum, Группа крови (Gruppa krovi). O sucesso deste disco foi enorme, transformando a banda em um fenômeno dentro e fora da União Soviética: seguiram-se alguns shows na França, na Itália e na Dinamarca, e até uma pequena apresentação nos Estados Unidos. Em 1989, o Kino lançou dois álbuns, Последний герой (Poslednii gueroi), com antigas canções da banda regravadas com melhor qualidade, e Звезда по имени Солнце (Zvezda po imeni Solntse), apenas músicas inéditas.

Em junho de 1990, após anos de muito trabalho e exaustivas turnês pela União Soviética, a banda decidiu tirar férias antes de gravar um novo álbum. Mas os planos não deram muito certo: em 15 de agosto, Viktor Tsoi morreria em um acidente de carro perto de Riga, quando retornava de uma viagem de pesca. A morte do músico foi um choque para os fãs e a sociedade soviética. Kasparian, Tikhomirov e Gurianov concluíram os arranjos de algumas músicas que Tsoi havia registrado apenas com voz e violão, e lançaram o álbum Кино (Kino), mais conhecido como Чёрный альбом (Tchiornyi al’bom). Alguns meses depois, em uma conferência de imprensa para marcar o lançamento do Tchiornyi al’bom, os músicos anunciaram o fim do Kino.

 

INTEGRANTES (ÚLTIMA E CLÁSSICA FORMAÇÃO)

Viktor Tsoi – voz, guitarra, violão, letras e música

Iuri Kasparian – guitarra

Georgii Gur’ianov – bateria, backing vocal

Igor Tikhomirov – baixo

 

DISCOGRAFIA

1982 — 45

1983 — 46

1984 — Начальник Камчатки

1985 — Это не любовь

1986 — Ночь

1988 — Группа крови

1989 — Последний герой

1989 — Звезда по имени Солнце

1990 — Кино (известен как Чёрный альбом)

 

Site: http://www.kinoman.net/ (os integrantes remanescentes não criaram um site sobre a banda, desta forma este link é de um site criado por um fã, um dos mais completos que descobri até agora).

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Algumas notas sobre as origens do rock russo (1957-1969)

Texto: Mariana Reis

 

O Rock and Roll surgiu nos Estados Unidos no início da década de 1950 e, em pouco tempo, se espalhou pelo mundo: no Brasil chegou em 1955 e, na Rússia, mais precisamente na antiga União Soviética, um pouco mais tarde, em 1957. Nesta época, a URSS era comandada por Nikita Krushchiov, que em seu “Discurso Secreto” no XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, denunciou os crimes cometidos por Stalin (uso desmedido da violência, execuções, fraudes etc.), dando início ao processo de “desestalinização” da política soviética.

 

Apesar da censura aos artistas se tornar um pouco mais branda neste período, os músicos ainda deveriam seguir os padrões artísticos estabelecidos pelo governo. Havia uma seleção de estilos musicais oficiais que eram permitidos de serem executados publicamente, por exemplo, a música clássica (na verdade, nem todos os compositores eram tidos como oficiais) e o jazz (que caiu na ilegalidade no período de Stálin e, após sua morte, foi gradativamente reabilitado pelo Kremlin). Quanto às letras das canções, críticas ao período de Stalin eram permitidas, mas as que eram feitas ao modo socialista de governo e sociedade não eram toleradas; a censura também valia para temas que fossem considerados nocivos à população como o alcoolismo, o sexo, a violência etc.

 

Valentin Parnakh e sua jazz band, em 1922: antes permitido pelo governo, o jazz acabou se tornando ilegal na URSS com o advento de Stalin e reabilitado apenas após sua morte, no final da década de 1950. (Foto: Wikipédia)

Valentin Parnakh e sua jazz band, em 1922: antes permitido pelo governo, o jazz acabou se tornando ilegal na URSS com o advento de Stalin e reabilitado apenas após sua morte, no final da década de 1950. (Foto: Wikipédia)

Havia uma única gravadora na União Soviética – a Melodia (Мелодия) – que tratava-se de uma companhia pública administrada pelo Ministério da Cultura. Os estúdios de gravação também eram estatais, assim como as Casas de Cultura onde ocorriam as grandes apresentações. A seleção e distribuição de instrumentos musicais também eram por conta do governo. Desta forma, se o estilo musical e as letras das músicas fossem aprovados pelo Ministério da Cultura, o cantor ou conjunto receberia todo o apoio que precisasse para seguir a sua carreira. Caso fosse rejeitado, teria que se adequar às exigências do governo. Ou se virar sozinho.

 

Os músicos que quisessem se aventurar em estilos musicais não-oficiais, como era o caso do rock (sempre acusado de contaminar a juventude com um estilo de vida “degenerado” – lembram-se do trio sexo, drogas e rock’n’roll?), desde que não criticassem o governo e ameaçassem a ordem pública, eram tolerados e poderiam se apresentar em locais controlados pelas autoridades, como os bailes estudantis e alguns cafés, sem direito a gravar discos e a ter bons instrumentos musicais.

 

Timothy W. Ryback, no seu clássico estudo sobre o rock soviético Rock Around the Bloc (1990, Oxford University Press), aponta que o mês de julho de 1957 foi a data que o rock and roll fez sua primeira aparição pública em território soviético, numa apresentação musical que antecedia o 6º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, em Moscou. O Kremlin, tentando demonstrar que já havia deixado para trás a xenofobia do período do pós-guerra, convidou diversos conjuntos de jazz da Tchecoslováquia, Romênia, Polônia, Grã-Bretanha, França, Alemanha e Islândia para se apresentarem na abertura do Festival.

 

Alguns desses conjuntos apareceram com instrumentos inusitados na bagagem (guitarras) e algumas canções que não estavam no repertório original. Essas canções “barulhentas” (possivelmente músicas de Bill Halley & His Comets) acabaram passando batido pela censura e foram executadas no Festival por grupos da Grã-Bretanha. As reações do público foram diversas: enquanto muitos jovens se maravilharam com aquele ritmo diferente, críticos musicais se horrorizaram com tamanho primitivismo e alguns oficiais do governo ficaram desconfiados com o fascínio que aquela música exercia no público. Curiosos para saber mais sobre aquele estilo musical tão empolgante, alguns estudantes começaram a trocar informações sobre bandas e músicas.

 

O Roentgenizdat era praticamente a única forma de se conhecer as bandas de rock ocidentais na década de 1950. (Fotos: Kotzendes Einhorn)

O Roentgenizdat era praticamente a única forma de se conhecer as bandas de rock ocidentais na década de 1950. (Fotos: Kotzendes Einhorn)

Como já mencionamos, o rock não foi incluído na lista dos estilos “oficiais” porque o Ministério da Cultura o considerava uma ameaça à juventude ao incentivar práticas como o alcoolismo, o fascismo, a violência, a perversão sexual e, principalmente, por conter mensagens contra o socialismo. Desta forma, era praticamente impossível encontrar discos, fitas e qualquer tipo de publicação sobre este gênero musical. Os fãs acabaram usando a criatividade para conseguir os discos de suas bandas favoritas.

 

Já que os LP’s de música ocidental eram proibidos de serem comercializados e reproduzidos, os poucos que conseguiam chegar em território soviético (oriundos de outros países que faziam parte do Bloco Soviético, como a Alemanha Oriental e a Tchecoslováquia) eram pirateados, inscrevendo-se as ranhuras dos discos em chapas de raio-X (os famosos roentgenizdatque também eram utilizados por fãs de jazz na época em que esse estilo musical era ilegal). Mas, ao descobrir essa prática, em 1958, o governo passou a confiscar os LP’s e destruiu dezenas de centros de produção e distribuição dos “discos de raio-X”. Mas a investida do governo contra a difusão do rock acabou não dando certo.

 

Alguns anos depois, em 1964, as páginas dos jornais soviéticos não poderiam deixar de noticiar a nova mania que atingiu os EUA, os quatro rapazes de Liverpool conhecidos como The Beatles. É claro que os críticos musicais “desceram a lenha” nos Beatles, acusando-os de serem garotos propaganda do estilo de vida capitalista. Mas a simples menção ao Fab Four foi o suficiente para atiçar a curiosidade das pessoas, e não demorou muito para cópias de discos do grupo aparecerem. As roupas, os cortes de cabelo, a música e tudo o mais que se referisse à banda se tornou uma febre entre os jovens soviéticos.

 

O Poiushchie Guitary (Поющие Гитары) foi uma das primeiras bandas soviéticas de rock. (Foto: Wikipédia)

O Poiushchie Guitary (Поющие Гитары) foi uma das primeiras bandas soviéticas de rock. (Foto: Wikipédia)

Foi nessa época que surgiram as primeiras bandas de rock soviéticas. Elas tocavam, na sua grande maioria, versões cover dos Beatles em instrumentos musicais artesanais, já que não tinham acesso aos instrumentos de ponta que eram fornecidos pelo governo. Em pouco tempo, começaram a mesclar outros grupos ocidentais em seu repertório e a fazer versões rock de canções populares soviéticas. Apesar de muitas delas se tornarem relativamente famosas entre os jovens, sem apoio e recursos técnicos adequados não havia mais para onde irem a não ser se conformarem com o underground.

O Ministério da Cultura percebeu que a tal “febre do rock” era realmente séria. Como uma contrapartida às bandas ocidentais, o governo passou a aceitar alguns elementos musicais do rock, com algumas restrições: foi estabelecido um termo próprio para a expressão banda de rock, Vokal’no-instrumental’nyi ansambl’ (вокально-инструментальный ансамбль, conjunto vocal-instrumental ou simplesmente VIA); mais de 60% do repertório deveria ser composto por canções de origem soviética (ou seja, de compositores “oficiais”) e as letras das músicas não deveriam fazer menção aos assuntos considerados “tabus” que já explicitamos anteriormente. Em contrapartida, o governo daria todo o apoio técnico e financeiro necessário para os grupos. Muitos músicos acharam a proposta interessante e não perderam a oportunidade de se tornarem “oficiais”, cedendo em alguns pontos ao governo para, finalmente, seguirem uma carreira profissional.

Há muitos grupos VIA interessantes e eles foram os pioneiros ao levar um pouco do rock aos locais públicos, ao rádio e à televisão. Apesar da constante vigilância ideológica, alguns eram extremamente criativos e conseguiam transformar canções oficiais insonsas em ótimas peças psicodélicas. Poderia citar diversos nomes, como o cantor russo Aleksandr Gradskii e sua banda Skomorokhi (Скоморохи), que mesclava diversos estilos como o folk e o rock progressivo; o grupo Ariel’ (Ариэль), de Tcheliabinsk (cidade localizada próxima aos Montes Urais), também com uma pegada mais folk e elementos de prog aqui e acolá; e o Vesiolye rebiata (Весёлые ребята), que na década de 1970 contou com a participação da famosa cantora pop Alla Pugatchiova. Apesar de estes conjuntos serem muito populares e importantes, gostaria de destacar em especial outros dois nomes: Poiushchie Guitary (Поющие Гитары) e Pesniary (Песняры).

 

Poiushchie Guitary (o grupo do clipe acima) foi formado em 1966 na cidade de Leningrado (atual São Petersburgo), e foi uma das primeiras bandas soviéticas de rock a se tornar famosa. Foi uma das principais referencias dos grupos VIA e muitos acabaram imitando o seu estilo. Fortemente influenciada por The Beatles, The Shadows e The Ventures, o grupo costumava fazer versões em russo de músicas dessas bandas, adaptando as letras às exigências do Ministério da Cultura – algumas letras não precisaram ser censuradas, como foi o caso de Byl odin paren’ (Был один парень), uma versão da canção Cera un ragazzo che come me amava i Beatles e i Rolling Stones, de Gianni Morandi (também imortalizada no Brasil pela banda Os Incríveis). O Poiushchie Gitary está em atividade até os dias de hoje.

 

Já o Pesniary (o grupo do clipe abaixo) foi formado em 1969 em Minsk, capital da atual Bielorrússia. Era um conjunto extremamente criativo e seus integrantes músicos de primeira linha. Utilizavam instrumentos tradicionais eslavos de sopro, cordas e percussão em conjunto com as guitarras e o órgão eletrônico. Essa combinação de tradição e modernidade deu à banda uma sonoridade única, que muitas vezes tocava o rock psicodélico. Além das versões de músicas ocidentais, também transformaram canções folclóricas bielorrussas em verdadeiras viagens psicodélicas. Apesar de algumas idas e vindas, o grupo ainda está em atividade.

 

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БеЗ Билета (BeZ Bileta)

Texto: Mariana Reis

A banda de indie rock БЕЗ БИЛЕТА (BeZ Bileta) foi formada em 1998, na cidade de Minsk (capital da Bielorrússia). Liderado pelo vocalista e compositor Vitalii Artist, o grupo inicialmente tocava música folk com temática romântica, apesar de ser fortemente influenciado pelo rock – ao lado dos grandes “bardos” soviéticos e das canções folclóricas bielorrussas, Vitalii cita o grupo de rock soviético Kino e os ingleses do Radiohead como suas principais influências.

Desta forma, não foi por acaso que a sonoridade da banda evoluiu do simples folk ao sofisticado indie rock com elementos eletrônicos de hoje – após lançarem três álbuns que gradativamente davam sinais de uma transição do folk para o rock (На неба, “Na neba”, de 2001; нарисована, “narisovana”, de 2004 e Поправка 22, “Popravka 22″, de 2006), o BeZ Bileta assumiu de vez o seu lado roqueiro e experimental com o álbum Кино (Kino), lançado em 2007. Apesar das mudanças na sonoridade do grupo, as letras continuaram abordando temas como o amor e os relacionamentos humanos.

O disco Kino foi um enorme sucesso de vendas e o BeZ Bileta se tornou uma das bandas de rock mais populares da Bielorrússia. O grupo era convidado para participar de todos os principais festivais de rock do país, com shows sempre lotados. Não demorou muito para alcançar outros públicos fora de seu país: em 2008 o BeZ Bileta estreiou nas rádios russas e logo se tornou famoso por lá. Logo em seguida, a banda se tornou muito famosa na Ucrânia, na Armênia e na Moldávia.

O álbum Мечтатели (Metchtateli), de 2009, foi lançado pela gravadora russa M2 e repetiu o mesmo sucesso de vendas de seu antecessor. Ainda em 2009, foi lançado outro álbum, Африка (Afrika), que recebeu o prêmio de “melhor disco do ano” no  Рок-коронация 2009 (Rok-koronatsiia, uma das principais cerimônias de premiação da Bielorrússia). O BeZ Bileta também levou a estatueta de “melhor banda” naquela premiação e mais 4 prêmios do RAMP (Russian Alternative Music Prize).

O sucesso na Rússia levou a banda a se tornar conhecida em outros países como a Polônia, a Alemanha, a França e a Itália, tocando em diversos festivais pela Europa. E além da preocupação com a produção e gravação dos seus álbuns, o BeZ Bileta é bastante conhecido pela qualidade de seus videoclipes, que quase sempre são premiados. É claro que o primeiro DVD lançado pelo grupo, Про самое негрустное на свете (Pro samoe negrustnoe na svete), de 2007, também foi um enorme sucesso de vendas.

Além de ser o líder do BeZ Bileta, Vitalii Artist também compões trilhas sonoras de filmes, séries, peças de teatro, propagandas e desenhos animados. Outro fato bem curioso sobre o grupo é que ele conta com a participação de um “integrante oculto” muito especial, a cantora, compositora e artista visual Tania Kushner, que além de colaborar ativamente com o BeZ Bileta tanto nas músicas como na produção visual de encartes para os CD’s e videoclipes, também participa de um projeto paralelo de Vitalii Artist, a banda Slowmotion, formada em 2010.

 

INTEGRANTES ATUAIS

  • Vitalii Artist - voz, violão, letra, música e produção
  • Ian Iarosh - teclados
  • Aleksandr Ivashkevitch - guitarra
  • Aleksandr Guliaev - baixo
  • Andrei Korotchenko - bateria

DISCOGRAFIA

  • 2001 – На неба
  • 2004 – Нарисована
  • 2006 – Поправка 22
  • 2007 – Кино
  • 2008 – Настоящая любовь
  • 2009 – Мечтатели
  • 2009 – Африка
  • 2010 – Красному диску солнца
  • 2011 – Звезда

LINKS

Site oficial: http://bezbileta.net/

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Arquivado em Biografia de Bandas

Би-2 (Bi-2)

Texto: Mariana Reis

O grupo Би-2 (Bi-2) foi formado em 1988, na cidade de Minsk, Bielorrússia, pelos jovens Aleksandr Uman (guitarra) e Igor Bortnik (voz, guitarra)Os dois se conheceram em 1985, no Teatro-Estúdio Infantil Rond, e logo pensaram na possibilidade de montar uma banda de rock – começaram a estudar música e a compor algumas canções. As idéias da dupla só se concretizaram três anos depois, quando formaram o grupo Братья По Оружию (Brat’ia Po Orujiiu). A formação da banda era muito instável, sendo que os únicos membros permanentes eram Aleksandr e Igor. Ainda em 1988, os dois decidiram mudar o nome do grupo para Берег Истины (Bereg Istiny) e, no ano seguinte, o abreviaram e acrescentaram o número 2, ficando apenas Би-2 (Bi-2). Aleksandr e Igor também mudaram seus nomes artísticos para Shura Bi-2 e Liova Bi-2.

No começo de carreira, o Bi-2 foi musicalmente muito influenciado pelo grupo britânico The Police e pelo movimento pós-punk. As apresentações do grupo eram bem inusitadas e o palco enfeitado com diversos itens curiosos como um caixão, rolos de papel, aviões, muletas e até camisinhas – alguns desses objetos acabavam sendo atirados para a platéia durante o show. Entre 1988 e 1990, a banda fez diversos shows pela Bielorrússia, tocando em muitos festivais importantes, como o “Могилевский рок-фестиваль” (Mogilevskii rok-festival’), em 1989. Neste mesmo período, gravaram algumas músicas em um estúdio caseiro e lançaram um álbum independente em fita cassete, Изменники родины (Izmenniki rodiny), que até hoje não foi relançado em CD.

Com o fim da União Soviética, em 1991, Shura mudou-se para Israel pois, com a nova situação política da Bielorrússia, acreditava que seria impossível continuar experimentando e inovando em um país que não oferecia condições para isso (os sinais de cerceamento das liberdades civis e políticas acabaria se consolidando em 1994, quando foi eleito o primeiro e único presidente da Bielorrússia, Aleksandr Lukashenko, que desde então se mantém no poder). Liova acabaria fazendo o mesmo no ano seguinte.

Com a mudança para Israel, inicia-se uma nova fase para a banda. Shura e Liova passaram alguns meses longe dos palcos e sem escrever novas canções, se adaptando ao novo país. Em 1992, os dois encontraram um antigo membro da banda enquanto andavam por Jerusalém, e a nostalgia dos velhos tempos acabou levando a dupla a retomar as atividades do Bi-2. O retorno foi bem tímido, se apresentavam para pequenas platéias (por volta de 30 pessoas), quase sempre no formato acústico; até participaram do “Jerusalem Rock Festival”, mas a recepção da platéia foi muito fria. Novas canções começaram a surgir e o estilo da banda começou a mudar – arranjos mais complexos e uma preferência pelo formato acústico passaram a predominar nas composições. No final de 2003, Shura mudou-se para a Austrália por questões familiares, enquanto Liova permaneceu em Israel.

Liova e Shura continuaram se comunicando por telefone, trocando idéias sobre novas músicas. Shura acabou fazendo amizade com diversos músicos australianos e continuou a trabalhar com música, formando uma nova banda, o  Shura B-2 Band. O grupo se manteve ativo entre 1993 e 1997, participando de diversos festivais em Melbourne e gravando alguns discos. Depois da dissolução do grupo, Shura tocou por algum tempo na banda darkwave australiana Chiron. Em 1998, Liova foi para a Austrália, e o Bi-2 finalmente retomou as atividades. Finalizaram algumas músicas que escreveram ao telefone, comporam outras e gravaram o álbum Бесполая и грустная любовь (Bespolaia i grustnaia liubov’). Mesmo tendo sido lançado apenas na Austrália, algumas músicas passara a ser executadas na famosa emissora de rádio russa Nashe radio.

Em 1999, Shura e Liova se mudaram para a Rússia, saíram em busca de novos integrantes para o grupo e correram atrás de estúdios, gravadoras, empresários e tudo o que fosse preciso para retomar de vez a carreira do Bi-2. Apesar de os primeiros meses em território russo serem um pouco desanimadores, neste mesmo ano a banda foi convidada para participar de dois importantes festivais, o “Максидром” (Maksidrom), promovido pela rádio Maximum, e o “Нашествие” (Nashestvie), promovido pela Nashe radio. No ano seguinte, o Bi-2 participou do filme Брат-2 (Brat-2), do diretor Aleksei Balabanov, e tanto o filme quanto sua trilha sonora fizeram muito sucesso na Rússia. Cada vez mais conhecida por todo o país, a banda passou a se apresentar por inúmeras cidades russas, conseguiu lançar seus álbuns por grandes gravadoras e fez parceria com diversos músicos da cena roqueira russa (TchitcherinaDiana ArbeninaPiknik…). Em 2012, a banda fez uma exaustiva turnê pela Rússia para divulgar seu último álbum, Spirit, lançado em dezembro de 2011.

 

INTEGRANTES ATUAIS

  • Liova Bi-2 – voz, guitarra, violão
  • Shura Bi-2 – voz, guitarra
  • Andrei “Zvon” Zvonkov – guitarra
  • Maksim “Lakmus” Andriushchenko – baixo
  • Boris Lifshits – percussão
  • Ianik Nikolenko – flauta, teclados, backing vocal

DISCOGRAFIA

  • 1991 — Изменники родины (не издавался)
  • 1998 — Бесполая и грустная любовь
  • 2000 — Би-2
  • 2001 — Мяу кисс ми
  • 2004 — Иnoмарки
  • 2006 — Moloko
  • 2009 — Лунапарк
  • 2010 — О чем говорят мужчины (саундтрек)
  • 2011 — Spirit

LINKS

Site oficial - http://bdva.ru/

Canal no YouTube - http://www.youtube.com/B2band

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